Como tratar o colesterol - tratamento medicamentoso

Publicado 05/08/2013
Recentemente no artigo Como tratar o colesterol - Estilo de vida  discutimos como controlar o colesterol sem medicação. Na verdade as recomendações feitas naquele texto servem para todas as pessoas desde as primeiras décadas de vida e não somente quando identifica-se distúrbio do colesterol. Quem é contra alimentação saudável, exercícios regulares, eliminação do tabagismo e controle clínico periódico? E porque seguir esse estilo de vida  só porque o colesterol está alto ou outro fator de risco cardiovascular está descontrolado? Promover a saúde, adotando estilo de vida ideal é o grande segredo para diminuir os riscos futuros. Afinal de contas não temos bola de cristal, e como disse trabalhamos com risco e quanto menor, melhor!

Direto ao assunto, quando iniciar medicação para controlar o colesterol? Quais são essas medicações?

Voltando ao texto anterior Como tratar o colesterol - Estilo de vida, falamos um pouco sobre a individualização das pessoas com distúrbio do colesterol. Nesse contexto, devemos dividí-las em grupos de risco baixo, médio e alto e para isso usa-se diversas variáveis clínico laboratoriais individualizadas. Pessoas de baixo risco devem iniciar medicação para baixar o colesterol quando as intervenções sobre o estilo de vida não surtem efeito em até 6 meses. Já o grupo classificado como moderado risco merece tratamento farmacológico após 3 meses de mudança de estilo vida e os resultados são insatisfatórios. No grupo de alto risco devemos ser rigorosos e salvo exceções, os medicamentos são introduzidos prontamente em conjunto com as orientações sobre a melhora do estilo de vida. O objetivo do tratamento é atingir a meta. Por exemplo, o grupo baixo risco possui meta de LDL (colesterol ruim) abaixo de 160 mg/dl, que é diferente da meta para o grupo moderado risco que é de 130 mg/dl e que logicamente é diferente da meta para o grupo alto risco que é de 100 mg/dl e em alguns casos 70 mg/dl. Vejam que o objetivo é atingir a meta individualizada para cada grupo, não valendo em nada as orientações referenciais que acompanham o resultado dos exames da maioria dos laboratórios.

Atualmente na prática clínica utilizamos duas classes de medicamentos para redução do colesterol, apesar de existirem outras, mas que estão em desuso. Gigantesco destaque para as estatinas que representam a classe de medicação redutora do colesterol mais usada na prática médica. Além de reduzir os níveis de LDL em até 55% se correlacionam diretamente com redução do risco de eventos cardiovasculares maiores como infarto, angina, acidente vascular cerebral (AVC), cirurgia de ponte de safena e até morte em decorrência de todos esses problemas. No mercado há diversos tipos de estatinas, cada uma com detalhes diferentes em relação às outras, cabe ao médico definir qual a mais indicada em cada caso. Como toda medicação efeitos colaterais existem. As estatinas em poucos casos podem causar efeitos musculares que variam desde dor muscular até agressão maior às células musculares e por isso o monitoramento clínico-laboratorial ao se iniciar estatina deve ser feito sob orientação médica. Por agir no fígado, as estatinas podem agredir o tecido hepático e isso também deve ser monitorizado.

Uma outra medicação comumente usada para reduzir o LDL é a Ezetimiba. Essa medicação age no intestino, inibindo a absorção do colesterol e pode reduzir em até 20% os níveis de LDL. A Ezetimiba deve ser usada isoladamente em casos de intolerância às estatinas devido a problemas musculares ou hepáticos, ou em associação com as estatinas para potencializar o efeito redutor do LDL quando as metas não foram atingidas com o uso das estatinas de forma isolada.

Devemos lembrar que quando falamos de distúrbio do colesterol, além de focar na redução do LDL, devemos observar o HDL (colesterol bom). Quando baixo (homens < 40 mg/dl e mulheres < 50 mg/dl) também está relacionado a maior risco cardiovascular futuro. Até hoje as melhores intervenções para aumentar o HDL são interromper o tabagismo e atividade física regular. No entanto algumas medicações podem ajudar na elevação do HDL, como é o caso das próprias estatinas que podem elevar em até 10% os níveis de HDL. Há uma outra medicação (ácido nicotínico) que aumenta o HDL, porém a alta frequência de efeitos colaterais indesejáveis faz o uso dessa medicação inviável na prática clínica, além de estudo recente não confirmar redução de risco cardiovascular com o uso dela.

Antes de iniciar qualquer medicação, consulte o seu médico, nunca se auto medique. Tratar e cuidar significa muito mais do simplesmente ingerir remédios.

COMENTÁRIOS FACEBOOK:

História do Prêmio Nobel Publicado 10/12/2012
10 dicas para um sono melhor Publicado 16/08/2012
Remédios para dormir fazem mal? Publicado 05/08/2012
Exercite-se e ganhe saúde! Publicado 21/07/2012
Falta de ar. O que fazer? Publicado 16/07/2012
O que é hipertensão arterial? Publicado 20/06/2012
Dor no peito no Pronto Socorro Publicado 20/06/2012